Mino Pedrosa

Zé Dirceu irrigado pela Backdoor

5 maio 2017

A palavra Backdoor, na tradução “porta dos fundos”, expressão utilizada na área de informática para designar um método de acesso, geralmente secreto e não divulgado, que visa explorar falhas críticas em sistemas e redes com o fim de infectá-las. De posse de tal acesso, um indivíduo pode acessar e roubar segredos valiosos de uma empresa.

O que quase ninguém sabia é da existência de uma Backdoor, operada por empresários e empresas do segmento de TI e fornecedoras do Governo Federal, que vinha irrigando um novo propinoduto descoberto pelos investigadores da força tarefa da Lava Jato.

Tudo indica que uma destas “portas de fundos” de propina do segmento de TI desaguava em personagem conhecido: José Dirceu.

Pessoas e empresas, ligadas à José Dirceu, vêm sendo alvos de denúncias do MP e ações da PF em diversas fases da Lava Jato. No que já foi descoberto, aparece o nome de um homem-chave dos indícios de esquema de propinas em contratos de TI no Governo Federal: Júlio Cesar Oliveira Silva, conhecido como o “Júlio do Zé Dirceu”, ex-funcionário da IBM e ex-analista de sistemas do Serpro.

Júlio César foi preso durante a 34ª fase da Lava Jato. Quando decretada a sua prisão temporária, o empresário estava na Espanha, país sede da Isolux Córsan e Indra Sistemas, empresas para quem Júlio prestava serviços como Diretor de Desenvolvimento de Negócios. Júlio César é casado com Antonieta Silva, amiga de infância de Evanise Santos, ex-mulher de José Dirceu. Antonieta ganhou notoriedade pela cena de agressão ao deputado Major Olímpio (Solidariedade-SP) durante cerimônia no Palácio do Planalto em março de 2016.

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As denúncias do MP vêm apontando como fluía o dinheiro sujo do esquema que passava pelas empresas JC&S e a RT Serviços de Júlio Cesar. As investigações mostraram que empresas como IT7 Sistemas, Konceito e Credencial, cruzado os repasses milionários entre elas, também participavam do esquema trazido pela quebra do sigilo determinada pelo juiz Moro na denúncia do MP.

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O curso das investigações comprovou, seguindo os repasses feitos, que a RT Serviços e a IT7 Sistemas operavam juntas na captação de recursos ilícitos que guardam indícios de favorecimento ao grupo de José Dirceu a partir de contratos de TI para o Governo Federal envolvendo produtos da multinacional Oracle. Na página principal do site da RT Sistemas, além da Isolux Corsán e MarkMonitor, a Oracle aparece como uma das parceiras da empresa de Júlio César; que vinha conseguindo outros contratos expressivos na ANTT, Ministério da Saúde e Ministério dos Esportes no total de R$ 19,7 Milhões entre 2014 e 2016.

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A IT7 Sistemas, pertencente a Leon Vargas, irmão do ex- deputado André Vargas, ficou conhecida na 3ª denúncia do MP contra o deputado no âmbito da Lava Jato. A empresa, liderada pelo seu principal executivo Marcelo Simões que também é investigado, chegou a ser uma das principais revendas de software da gigante americana Oracle para o Governo Federal.  Um dos alvos desta 3ª denúncia contra Vargas na Lava Jato é um contrato de R$ 71,3 Milhões para aquisição de licenças Oracle na Caixa Econômica, com repasses de quase R$ 2,4 Milhões pela IT7 Sistemas em transferências feitas em 2014 pela empresa.

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Agora, com Zé Dirceu solto pelo Supremo e cumprindo prisão domiciliar em Brasília, o MP deve aprofundar investigações sobre os caminhos do dinheiro e relacionamentos de empresários e empresas que possam resultar em novas denúncias e condenações de Dirceu. E, quem sabe, trazer mais luz sobre uma das “portas dos fundos” instalada entre um dos principais personagens da Lava Jato e os contratos milionários da área de TI com o Governo Federal.

 

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