Mino Pedrosa

Sobre

Perfil de Mino Pedrosa

Olhos de águia, audição de golfinho e memória de elefante. A isso, alie-se fidelidade à fonte, velocidade da luz e imparcialidade ao divulgar uma informação. Essas são características de um grande jornalista.

Repórter que tem méritos também vira notícia. Mino Pedrosa, colunista, é um exemplo. Há 12 anos, ele contou memórias secretas ao Portal Imprensa. Parece que foi ontem. Hoje são muito mais histórias.

As confissões do repórter investigativo que complicou a vida de Collor, Jader Barbalho, ACM e outros figurões da política brasileira.

 Mino Pedrosa parece carregar o jornalismo nas suas veias. Nos anos 90, o repórter investigativo de 55 anos dividiu-se entre farejar notícias e as atividades de seu escritório de assessoria. Em 1986, virou do avesso a guerrilha de El Salvador. Em 1989, seguiu os passos do então candidato a presidente Fernando Collor de Mello. Em 1995, realizou uma verdadeira ressonância magnética no caso SIVAM.

 Seu primeiro contato com a profissão foi através de seu pai, Wilson Menezes Pedrosa, jornalista do Diário de Brasília e, depois, fundador do Correio do Planalto. Depois, empregou-se como estagiário-contínuo do Jornal de Brasília, onde ganhava dinheiro irrisório. “Recebia dinheiro para o lanche” informa.

Da rotina de contínuo, saltou para um estágio num laboratório fotográfico, em 1979, e, um ano depois, no próprio Jornal de Brasília. Lá já definiu sua linha de trabalho. “Eu tentava buscar uma foto diferente, roubada. Andava com a máquina escondida.” Da foto para o texto, denso em apuração, foi um passo. Um de seus famosos flagrantes foi a imagem que colheu o presidente Collor, em vias de ser removido do Planalto, com a cabeça na bandeja, impressão que ficou de uma cena em que o tino do retratista apanhou um garçom oferecendo alguns canapés ao chefe da Nação.

Há anos, Mino Pedrosa, hoje chefe da sucursal da revista IstoÉ do Rio de Janeiro, ajunta material e raspa a memória para escrever um livro em que contará os bastidores da política brasileira a partir do que viveu como repórter perdigueiro e assessor de milionárias campanhas eleitorais (como a frustrada pré-candidatura de Roseana Sarney). O trabalho que se intitularia De FC a FH (ou seja, de Fernando Collor a Fernando Henrique) já foi rebatizado de De FC a Lula, devendo ser incrementado com revelações estarrecedoras sobre o atual governo. “Eu quero contribuir para a história com coisas profundas, para meus netos”.

Pela entrevista que fiz com ele, pode-se calcular o quanto que esse repórter-detetive tem para contar e que não levará para o túmulo. Mino dedicará um dos capítulos a resgatar os episódios que culminaram com o impeachment do presidente Fernando Collor. Para quem não se lembra, ele que assinou a reportagem-bomba, junto com seus parceiros João Santana Filho e Augusto Fonseca, em que o motorista do Palácio do Planalto, Eriberto França, deu declarações incriminando o presidente Collor e seu ex-tesoureiro de campanha, Paulo César Farias. “Alguns parlamentares, como Sigmaringa [Seixas], [Aloizio] Mercadante, [José Paulo] Bisol, sabatinaram o Eriberto, antes de ele depor na CPI, para ver se na hora ele não ia escorregar”, revela. Mas a preocupação não fazia sentido: não tinha como dar errado porque o que o motorista tinha pra dizer era por demais convincente.

Escaldados pelas ameaças de morte, na véspera do depoimento, Mino Pedrosa e seus colegas tiraram a testemunha de circulação, escondendo-o numa fazenda de familiares de João Santana Filho, no interior da Bahia.

Collor apeado do poder assumiu o vice, o mineiro Itamar Franco. Mino tem muitas informações de que a posse de Itamar também não foi um processo tão seguro como se pensa. O sucessor imediato de Collor temia ser impedido de assumir, entre outras coisas, por manobras de militares. “O Itamar não queria assumir porque o PC financiou a campanha dele. O pessoal, Mário Covas, Mercadante etc. Trabalhou para que ele assumisse com tranquilidade.” Para convencer Itamar, muita saliva foi gasta nos serões da articulação política.

Nas entranhas do poder – Sobre Fernando Henrique Cardoso, Mino tem elementos de sobra para escrever uma encorpada biografia. Até porque sua empresa de assessoria trabalhou na campanha vitoriosa de FH à presidência em 1994. Como saldo desse trabalho, obteve muitas histórias e um tremendo buraco nas finanças de sua firma. Ao fim de todo o processo eleitoral, não conseguiu receber o dinheiro prometido pela assessoria. Sérgio Motta, caixa da campanha tucana, pediu que Mino emitisse uma nota fiscal. Mas havia um, porém. “Os impostos da nota eu não tinha como pagar.” Mas quem sabe, com FH no governo, não poderia cair no colo de sua empresa alguma conta publicitária? “Não. No primeiro ano de governo, Fernando Henrique suspendeu as licitações” lembra.

Mino, que considera IstoÉ, “sua casa”, e o dono da revista, Domingo Alzugaray, seu “segundo pai”, viveu seu inferno astral com o estouro do escândalo dos bingos, que resultou na demissão de Waldomiro Diniz, então sub-chefe da Casa Civil. O repórter, em mais um intervalo de seu trabalho nas redações, foi procurado pelo empresário de loterias, Carlinhos Cachoeira para assessorá-lo na criação publicitária de um laboratório de medicamentos genéricos de sua propriedade. Topou a parada. Tempos depois, o empresário confidenciou ao assessor que Waldomiro estaria comandando esquema de corrupção junto à multinacional Gtech (responsável pelas loterias do governo) e que teria uma fita em seu poder mostrando o sub-chefe em ação, (negociando contribuições para campanhas eleitorais em troca de favorecimentos). Mino, então, passou a informação pra frente. Seu colega, Mario Simas, de IstoÉ, então fez a reportagem denunciando Waldomiro, com as garantias de que Cachoeira de que tinha provas do envolvimento do assessor do governo com a cobrança de propinas. Waldomiro queixou-se da publicação da denúncia para Mino e, depois, para Simas. Ambos, então, marcaram encontro com Waldomiro. Para afastar qualquer dúvidas de que o que publicara tinha algum fundamento, Simas exibiu a fita de Cachoeira. “O Waldomiro começou a chorar”, reconstitui Mino Pedrosa. 

Foi acusado de ter armado e divulgado a gravação em que o subprocurador da República, José Roberto Santoro, tenta convencer Cachoeira a lhe entregar a fita da gravação que fez comprovando que Waldomiro o pressionava para obter propina. Mino nega e dá sua versão dos fatos. Com a divulgação da fita – a segunda – foi indiciado em inquérito policial. A Polícia Federal revirou sua casa. Acredita-se vítima de um linchamento por parte de setores da mídia e do governo.

“Já recebi tantas ameaças que eu vejo isso como corriqueiro.” Mino Pedrosa não esconde que durante várias de suas investigações sua vida esteve em perigo. Encara com espantosa naturalidade o fato de ter se sentido em risco nos tempos de Collor, quando denunciou o então senador Jader Barbalho e desvendou a violação do painel eletrônico do Senado (que levou à renúncia dos mandatos dos senadores Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda). Nada disso parece intimidá-lo na sua obsessão de correr atrás das pegadas que o conduzem a estrondosas denúncias, capazes de sacudir o país e desmascarar canastrões da política brasileira. “Eu não gosto do ‘ouvir falar’. O texto investigativo é uma obrigação de todo texto. O aprofundamento torna a matéria mais verdadeira.”

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