Sarah Kubitschek: até quando?

28 mar 2018

Por Mino Pedrosa

O país que tenta passar a limpo as injustiças nas classes sociais faz vistas grossas pelas autoridades nas distorções dos altos salários escolhidos a dedo e pago pelo erário. O conselho administrativo da Rede Hospitalar Sarah Kubitschek admite salários completamente fora da realidade. A diretora presidente do Sarah Lúcia Willadino Braga, tem como salário mensal mais de 100 mil reais. Com ela acompanha toda a diretoria na mesma disparidade.

O Tribunal de contas da União – TCU recebeu da mesa diretora da Câmara dos Deputados um requerimento que exige o exercício da Lei da Transparência, que não é aplicado pela diretoria do Sarah com a conivência do Conselho Administrativo. O processo tramita em segredo de justiça e hoje está adormecido no fundo da gaveta, trancado a sete chaves. A diretora do Sarah, Lúcia Braga, leva vida de rainha ás custas do erário público encontrando respaldo na classe política e no judiciário.

A propalada relação humanista da Rede SARAH, resume- se ao relacionamento, unicamente, entre o paciente e os profissionais da saúde do hospital. A animosidade nas relações de trabalho chega a tal ponto que, todos os seguranças do Sarah-BH, na capital mineira, recorreram à justiça mesmo estando empregados. Um fato inédito, à considerar os desdobramentos dessas ações.

Funcionários denunciam perseguição, assédio moral e outros atentados às relações de trabalho, que nem de longe passam pelos tratados ideias de recursos humanos. Prova disso são as infindáveis ações na justiça do trabalho. Desde 2010 funcionários tentam registrar no ministério do trabalho a criação de um sindicato de representação dos empregados de nível médio, os mais vulneráveis no assédio e na falta de diálogo. Muitos dos integrantes do movimento foram sumariamente demitidos e se mantém organizados em solidariedade aos colegas empregados.

E por que a Rede SARAH segue impune apesar de ações transitadas e algumas já julgadas na justiça do trabalho? As respostas podem ser dadas em observações cotidianas no atendimento dos pacientes. Entre os doentes, ou tratados com fisioterapias, se destacam: ministros do TST, promotores, relatores, juízes do trabalho e outros egrégios, com poder de impedir o trâmite do que era para ser apreciado na esfera judicial e com crivos de julgamentos isentos e valores-que fariam valer a justiça.

Os próprios pacientes questionam essa preferência na seleção dos notáveis, a tal ponto que um acompanhante nos enviou uma foto onde o ministro do TST, Aloísio Corrêa da Veiga, aparece acompanhado de um fisioterapeuta. O mesmo que foi condecorado no TST. Um toma lá dá cá, de troca de favores. Os notáveis pacientes não sabem, inicialmente, mas certamente serão cooptados para defender o Sarah diante de ações inescrupulosas que não resistem a uma investigação isenta de interesses. Como a ação por assédio moral, sentenciada em 14 de Agosto de 2015, no Maranhão, e amplamente divulgada pela imprensa local.

A presidente do Sarah, Lucia Willadino, fez uma palestra na CNJ, recheada de números, nada mais do que respostas a questionamentos que vêm sendo feitos sobre atendimentos, procedimentos e outras informações “maquiadas” que deformam a verdade.

O aumento de serviços de saúde prestados à população não condiz com a realidade das salas vazias do Lago Norte e de outras unidades distantes de Brasília. Mas, servem de álibi a fim de justificar o aumento de recursos financeiros solicitados para 2018. A palestra foi viabilizada pela ministra do STF, Carmen Lúcia, conselheira convidada para o biênio 2016/2018.

As aproximações com os Egrégios surtem efeitos. A troca de favores entre a Diretoria do Sarah e os veículos de representação popular, na esfera da justiça, já interferem em decisões nas delegacias regionais do trabalho, país afora, onde existe uma unidade do Hospital Sarah. Os processos contra o Sarah, se arrastam, pedem explicações contra demissões abusivas  injustificáveis e o que nem de longe se imaginava , ocorreu. Um processo que já tinha pareceres favoráveis e estipulava uma multa de R$ 500.000,00 foi sumariamente modificado pelas relatoras.

A audiência marcada para 8 de dezembro onde a ré deveria prestar esclarecimentos, e era convocada a presidente do Sarah, Lucia Braga ou, representante da diretoria, foi prorrogada  e sem a obrigatoriedade da presença de algum diretor. A decisão foi comemorada em almoço solene na diretoria do Sarah, com a presença dos principais diretores e duas relatoras do processo.

Foi um almoço solene. O cardápio, escolhido a dedo, incluiu produtos selecionados regados a água Perrier e espumantes, a escolha. A entrada de Salada de Ratatouille de legumes com agrião baby e frutas secas, foi complementada com Bacalhau à la Romana, tomate contasse, passas, castanhas e manjericão crocante, com Purê de damasco e arroz integral. O almoço com talheres requintados, fechou com morangos ao creme brüllie e calda refrescante. Uma gastronomia seleta custeada com dinheiro pago com o imposto do cidadão, aquele que conhece o Sarah de fora.

De conchavo em conchavo, a justiça do trabalho está mais sensível aos apelos da diretoria. Assim também ocorre com os outros apoios concedidos por “formadores de opinião” palavra que já é senha usada entre os empregados obrigados a marcar consultas da elite, mesmo questionando as preferências que fogem ao conceito de tratamento igualitário a ricos e pobres, como pregava o idealizador, Campos da Paz.

Não há admiração à sucessora de Campos da Paz.

O clima de animosidade, internamente, tenta ser apaziguado a todo custo!

Um aumento nos salários foi garantido para 2018. Esse é o único número correto que não será maquiado. A diretoria receberá valores salariais, inimagináveis na Corte.

O recesso do fim de ano terminou em 15 de janeiro de 2018, e em Macapá e Belém, foram concedidas férias coletivas. Na região amazônica, os postos avançados do Sarah representam a esperança de tratamento para crianças indígenas e ribeirinhos que não têm um atendimento, mínimo, digno, na saúde. Viajam horas a fio em barcos inseguros em direção a um posto seguro que nem sempre está acessível no continente.

O descanso nos Sarah(s) de Macapá e Belém, em férias coletivas foi pago com o dinheiro da população, a mesma que espera nas intermináveis filas e certamente aumentarão a espera que não tem fim no atendimento à grande parte da população, que não faz parte da elite.

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