Mino Pedrosa

Prisão de Bendine provoca polvorosa nos arcos do Buriti

27 jul 2017

A Operação Cobra, tentáculo da Lava Jato deflagrada nesta quinta-feira, 27, trouxe à tona um personagem que faz o elo do propinoduto com o dinheiro público e partidos políticos. André Gustavo Vieira da Silva, um dos presos, não é apenas um proprietário de agência de publicidade. Suas relações com o submundo da corrupção envolvem o alto escalão político, e operadores do mercado financeiro.

A Polícia Federal deu voz de prisão a André Gustavo e a seu irmão Antônio Carlos Vieira, que se preparavam para uma viagem a Portugal. Coincidência o não, o ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine, também preso na operação, tinha uma viagem programada, nessa mesma quinta, para o mesmo destino. Nomeado para estancar a corrupção na Petrobras, Bendine está sendo acusado de ter recebido R$ 3 milhões da Odebrecht.

A prisão de André Gustavo ecoou principalmente no Palácio do Buriti, sede do Governo de Brasília.

O publicitário mantém estreita relações com o governador Rodrigo Rollemberg. É uma amizade herdada do falecido presidente do PSB Eduardo Campos.

O apadrinhamento a André Gustavo em Brasília não se restringe só a Rollemberg. Estende-se a figuras como Nelson Tadeu Filippelli, Agnelo Queiroz e José Roberto Arruda.

O publicitário, que também tem livre acesso ao Partido dos Trabalhadores (PT) atuou no governo do petista Agnelo Queiroz, através do então Secretário de Comunicação André Duda, que presenteou o parceiro de negócios com a conta da estatal Terracap e uma fatia do conglomerado BRB.

Como se vê, a dupla, que não é sertaneja, canta na mesma sintonia no mercado publicitário.

Segundo o Ministério Público André Gustavo Vieira é investigado em pelo menos três frentes, Petrobras, BNDES e JBS – Operação Greenfield.

Os laços de André Gustavo com a família do governador Rodrigo Rollemberg passam pelo escritório de advocacia Willer Tomaz, onde também despacha como advogado Carlos Augusto Sobral Rollemberg, irmão do governador do DF.

O advogado de Brasília Willer Tomaz, preso na Operação Greenfield, cobrou de propina R$ 8 milhões camuflados em honorários advocatícios para defender os interesses do dono da JBS, Joesley Batista. Para fisgar o cliente, Willer jogou uma isca: disse que tinha proximidade com o juiz substituto da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília Ricardo Soares Leite e que conhecia também um procurador da República, do Rio de Janeiro, que poderia ajudá-lo com informações sigilosas no âmbito da Greenfield. Essa operação apura fraudes nos fundos de pensão e tem como um de seus alvos a empresa de Joesley.

A operação Greenfield também investiga a participação do atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção DF (OAB-DF), Juliano Costa Couto, que indicou Willer para o grupo JBS, recomendado a André Gustavo Vieira da Silva que vez a ponte com Joesley Batista.

Segundo delação premiada de Joesley Batista, Willer Tomaz, disse que do total de honorários que receberia – aqueles R$ 8 milhões – um terço foi para Juliano Costa Couto e a mesma quantia para André Gustavo Vieira.

A prisão do publicitário mexe com o alto escalão da política nacional que já teme a confissão de várias operações nada republicanas. Mas há quem sustente que as primeiras flechas do arco atinjam em cheio muita gente que está por trás das cortinas do negro cenário da política e do mercado publicitário brasiliense.

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