Mino Pedrosa

Os morcegos X vampiros

3 ago 2017

A operação Greenfield, da Polícia Federal, trouxe à tona a ponta do icerbeg.

As togas dos ministros Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes escondem estreitas relações com o procurador da República Ângelo Goulart Vilela e o advogado Willer Tomaz de Souza.

Na primeira sessão do semestre, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) soltou o procurador Ângelo Goulart e o advogado Willer Tomaz, preso em decorrência da delação da JBS.

O ministro Ricardo Lewandowski puxou o voto que culminou com a derrota do ministro Edson Fachin e o decano, Celso de Mello, já que Dias Toffoli se absteve alegando questões pessoais.

No dia 18 de maio, este colunista revelou, com exclusividade, que na Operação Patmos, a Polícia Federal contou com a colaboração de funcionários e advogados que trabalhavam no escritório de advocacia Willer Tomaz, alvo da operação.

As imagens obtidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e a apreensão de documentos revelavam a frequência de autoridades do Judiciário em contato com o advogado Willer Tomaz, encarregado de corromper o procurador federal Ângelo Goulart, que trabalhava no núcleo de operação da Lava Jato.

A surpresa do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foram as imagens do circuito interno do escritório e o livro de registro de entrada e saída de clientes que figuram no alto escalação do judiciário.

Ricardo Lewandowski, ministro do Supremo, abre a lista dos frequentadores assíduos do escritório – procuradores do Ministério Público e advogados com estreitos laços, inclusive familiares, com o poder Executivo e Legislativo.

Dias Toffoli se absteve alegando motivo pessoal. Só faltou dizer que tinha laços indiretos com o escritório de Willer Tomaz.

Já Lewandowski teve necessidade de votar em livrar da cadeia o advogado que ele frequentava o escritório e utilizava os serviços de Willer Tomaz.

Como houve empate, a regra é o favorecimento aos réus que permanecessem e oferecessem a delação premiada trarão à baila toda a podridão do Judiciário.

O voto de Ricardo Lewandowski foi fundamental para acalmar o estado de espírito de delator que pairava sob os réus.

Villela terá que cumprir medidas cautelares. Ele foi suspenso da função, mas vai continuar recebendo salário; está proibido de ingressar nas dependências do Ministério Público, de manter contato com demais investigados e de viajar sem pedir permissão ao juiz. Ele também terá que cumprir recolhimento domiciliar no período noturno.

Apenas Willer Tomaz foi liberado para continuar trabalhando. A medida diferenciada foi porque o advogado não é funcionário público.

A decisão da Corte leva os morcegos que comem frutas aos bônus da liberdade e aos vampiros do Ministério Público, o sangue dos réus.

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