Operação Trickster: bando criminoso complica a reeleição de Rollemberg

4 abr 2018

Por Mino Pedrosa

A decisão da juíza Ana Claudia Loiola de Moraes Mendes, no dia 23 de março de 2018, às 17:20 fez estremecer os pilares do Palácio do Buriti. O governador Rodrigo Rollemberg, sentiu a ação do judiciário a caminho de derrubá-lo do trono. A ação da polícia por meio de documentos ingressados na justiça demonstra o empenho e a necessidade de desbaratar uma quadrilha criminosa enraizada no coração do governo do Distrito Federal.

O site Quidnovi.com.br obteve com exclusividade documentos sigilosos que chamam a atenção dos advogados de defesa dos envolvidos no escândalo DFTrans. Os documentos revelam uma ação policial inusitada. A escuta e a filmagem dentro de cela do ambiente carcerário.

Nos bastidores o vazamento dos modus operandi da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) revelou que um policial infiltrado junto aos detentos, monitorou com equipamento que gravava e filmava os diálogos entre os presos da Operação Trickster.

O então diretor do DFTrans, Léo Carlos Cruz, não foi preso. Mas, a justiça concedeu um mandado de busca e apreensão que acabou tendo um efeito devastador para o governador Rodrigo Rollemberg. Cerca de 3000 cartões, senhas, equipamentos validadores, dinheiro, jóias e documentos foram apreendidos em poder do ex-diretor.

No mesmo mandado o diretor da unidade de controle de bilhetagem automática do DFTrans, Harumy Tomonori Honda Jr, não teve a mesma sorte quanto a prisão, mas também a busca e apreensão resultou em uma farta documentação e uma prova cabal que o levou para a cadeia.

A Operação foi um sucesso ao ponto de terem surgido novas provas que alcançam um patamar significativo no poder hierárquico do GDF. É sabido que o cargo de secretário de Estado tem o beneficio do fórum privilegiado. No entanto, no rastro dos criminosos a justiça vem sendo implacável. A estimativa da fraude ultrapassa a cifra de um ‘bilhão de reais’.

As escutas ambientais autorizadas pela justiça foram feitas também no presídio feminino onde estão presas algumas mulheres do bando criminoso. Um dos resultados foi a inquirição por pelo menos três vezes da detenta, Soraya Gomes da Cunha, esposa do também preso Ronaldo de Oliveira, proprietário da Cooperativa Cooperbras.

Soraya foi flagrada em conversas de watsapp com seu esposo Ronaldo em que o diretor Harumy Tomonori foi buscar um envelope amarelo na garagem da empresa. O envelope estava no armário e segundo o diálogo, Ronaldo autorizou a entrega. Harumy estava sendo investigado por suspeita de receber um mensalão (pagamento mensal de propina) das cooperativas credenciadas no DFTrans. Em seu depoimento Tomonori alega que o envelope entregue por Soraya continha cartuchos de Toner. Já no depoimento de Soraya ela afirma que o envelope continha cartões de vale transportes. No entanto, Ronaldo Oliveira se negou a prestar esclarecimentos.

Contudo, na busca e apreensão na casa de Harumi foi encontrado um envelope contendo cerca de 14 mil reais e um veículo Fiat Mobi de propriedade do DFTrans, com placa fria que segundo Harumi foi cedida pela Casa Militar. Mas, não é bem assim. A Casa Militar nega ter disponibilizado o falso emplacamento. No interior do veículo também foi encontrado um colete balístico de propriedade da Polícia Militar do Distrito Federal. Harumi alega que o colete era de seu segurança, também disponibilizado pela Casa Militar e Gabinete Civil no Palácio do Buriti. O que também foi negado pela Casa Militar.

Vale lembrar que o então diretor do DFTrans, Léo Carlos Cruz e o Secretário de Mobilidade, Fábio Ney Damasceno, foram nomeados a mando do ex-governador do Espírito Santo, Renato Casa Grande (PSB-ES) com a finalidade de arrecadar recursos na área de transportes e pagar dívidas de campanhas do PSB contraídas em 2014. O que foi prontamente atendido pelo seu correligionário, governador, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

Abaixo os documentos:

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