Mino Pedrosa

MPF atirou no que viu e matou o que não viu!

26 maio 2017

Enquanto o Ministério Público Federal tentava incriminar o Presidente Michel Temer desde a semana passada, forçando–o a renunciar, a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) não teve a menor dificuldade para descobrir, na análise dos áudios, o verdadeiro caminho da mala de Loures. As imagens divulgadas com autorização do Supremo Tribunal Federal paravam exatamente quando o deputado Rodrigo Santos da Rocha Loures (PMDB-PR) saía da pizzaria nos Jardins, em São Paulo, com a dita mala recheada com R$ 500 mil em propina e entrava em um táxi.

A operação controlada pelo procurador Rodrigo Janot dava a impressão de que o rastreamento parava por ali. Ouvia-se só o áudio dos agentes da PF “segue, segue, segue… perdemos. Se perdemos, paciência”.

Na realidade, a PF omitiu o restante do rastreamento. Só colocou o material nos autos que não foram divulgados. O destino foi a empresa de Loures, na capital paulista, frustrando a operação que esperava que a propina chegasse as mãos do presidente Temer.

Com essa história, o MP atirou no que viu e matou o que não viu. No 4º andar do Palácio do Planalto a equipe que substituiu Eduardo Cunha na arrecadação de propina para abastecer os cofres do PMDB e partidos aliados, trabalhava sob o comando do Presidente. Três operadores, Rodrigo Loures, Tadeu Filippelli e Sandro Mabel, atuavam em varias frentes para abastecer os partidos e manter a estrutura do Governo.

Sandro Mabel, Rodrigo Loures e Tadeu Filippelli

Foi na mansão cinematográfica de Loures, no Lago Sul, em Brasília, alugada do empresário brasiliense Marcelo Cabrera da Silva, que o presidente da JBS gravou o que seria a barganha para a controversa delação premiada diretamente na terceira instância do Judiciário. Joesley Batista precisava de muita munição para garantir sua segurança e não abalar a fortuna da família, e ficar mais rico com a delação. Assim o chefe dos irmãos Batista gravou a conversa e levou de prêmio a descrição animada e orgulhosa da mansão do deputado que não tinha a menor ideia que estava sendo gravado. Depois da abertura gloriosa da casa, Joesley foi ao banheiro e ajustou o gravador para registrar a conversa encaminhada por Temer sobre as demandas do grupo JBS.

Mansão de Rodrigo Loures, onde Joesley Batista gravou conversas com o deputado.

A mansão hollywoodiana, segundo fontes, é alugada por R$ 35 mil ao mês sem contrato e pagamento em dinheiro. Coincidentemente, este é o mesmo valor retirado da mala de propina, que foi depositado ontem, em conta judicial do STF; o que descaracteriza a contagem das cédulas numeradas pela PF.

Outra coincidência é que o dono da mansão Marcelo Cabrera é sócio do filho de Tadeu Filippelli, Bruno Filippelli, e do filho do senador Edson Lobão, Edson Lobão Filho.  Somado a isso, o lobista e guardião da mala de R$ 500 mil em propina Rogério Rocha Loures, primo do deputado, é o operador, sem mandato, da organização com vários tentáculos.

Operador Rogério Loures

Rogério tem trânsito livre com o ex-presidente Lula, Antonio Palocci e o ministro da Saúde Ricardo Barros do Partido Progressista. Com esse esquema fica desenhado e vem â luz o caminho da propina e as identidades dos operadores da Orcrim substitutos de Cunha. O grupo fazia o que Cunha fez sozinho durante anos, por isso os rastros apareceram.

Tadeu Filippelli foi preso esta semana por um dos desdobramentos da Operação Lava Jato. Sandro Mabel pediu demissão e pretende morar no exterior com a família. Rodrigo Loures sustenta a cara de bom moço, mas está com o mandato suspenso e na mira do MPF. Temer, na corda bamba, tenta se equilibrar a cada dia. No momento, o desafio é quem vai fazer parte do núcleo de operadores do 4º andar do Palácio do Planalto, enquanto Palocci, Cunha e Lúcio Funaro ensaiam uma delação premiada.

Em tempo: a grande falha de Rodrigo Janot  foi a precipitação em oferecer a delação premiada aos irmãos Batista em troca de provas concretas que incriminassem o presidente Michel Temer. Se os empresários do grupo JBS fizessem o caminho normal que todos os outros delatores da Lava Jato percorreram, o resultado teria sido muito melhor para o país e nem tanto para os delatores. Enfrentar a força tarefa da Lava Jato e o martelo do juiz Sergio Moro seriam outros quinhentos.

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