Mino Pedrosa

Liliane Roriz. O passado bate à porta

1 dez 2017

A deputada distrital Liliane Roriz (PTB) participou de uma ação criminosa, no mandato de 2010, na Câmara Legislativa no Distrito Federal (CLDF). Ela baixou a cabeça, após ser condenada pela Justiça do Distrito Federal e começa mostrar o rabo.

Em 2010, a então deputada Liliane Roriz foi denunciada na corregedoria da Câmara Legislativa e na Justiça do DF. O motivo: fraude e desvio de recursos de verba indenizatória usada para pagamento em aluguel de carro.

O ex-assessor Adaliton Rocha Malaquias, que também foi condenado, teve os direitos políticos suspensos por oito anos. Ele terá, ainda, que devolver dinheiro aos cofres públicos.

Segundo o Ministério Público do Distrito Federal (MP-DF), Malaquias era encarregado de concretizar os contratos e efetuar os pagamentos. Malaquias forjou um contrato de locação “apropriando-se dos valores relativos ao falso ajuste, nos meses de janeiro e fevereiro de 2012”, a mando da deputada.

A deputada Liliane fez três contratos de locação de veículos, cujos valores seriam ressarcidos por verba indenizatória.

O corregedor, à época, deputado Aylton Gomes (PR-DF), foi à residência do ex-governador Joaquim Roriz para pedir propina e arquivar o processo, com farta documentação comprobatória, que iria culminar com a cassação do mandato da filha caçula.

Roriz cedeu à chantagem. E negociou o pagamento que seria de R$ 1 milhão para R$ 500 mil.

A deputada Liliane recorreu aos conselhos do blogueiro Edson Sombra e ao assessor a época José Flávio.

Sombra sugeriu a Liliane que gravassem o diálogo flagrando o pedido de propina por Aylton Gomes, exigindo o arquivamento do processo.

O deputado, com receio, nomeou como interlocutor do pagamento o assessor Alexandre Braga Cerqueira, para intermediar o recebimento da propina. Alexandre, então fez contato com a deputada Liliane Roriz, que indicou José Flávio para tratar do assunto.

O blogueiro Edson Sombra orientou como fazer a gravação. E, ainda, determinou aos assessores da deputada Liliane Roriz que gravassem todos os diálogos entre José Flávio e o deputado Aylton Gomes.

O monitoramento do blogueiro resultou em áudios bombásticos. Alexandre Braga falava em

nome de Aylton e pedia o pagamento de R$ 300 mil em espécie e cargos, que a deputada liberasse como parte do pagamento da propina.

Alexandre Braga foi gravado, na primeira conversa. O blogueiro Edson Sombra insistiu que José Flávio gravasse o deputado Aylton. O que foi feito.

Em posse dos áudios, Edson Sombra mandou recados para Aylton arquivar o processo contra Liliane Roriz na Corregedoria da CLDF.

A deputada Celina Leão, que presidia a Comissão de Ética, era aliada de Liliane Roriz, mas não teve acesso aos áudios.

Ex-deputado Dr. Michel e Deputada Liliane Roriz

O deputado, temendo escândalo, foi aconselhado pelos seus pares a entregar o cargo de corregedor para o então deputado Dr. Michel, hoje ocupando uma das cadeiras do conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TC-DF).

O ex-deputado Michel assumiu a Corregedoria, mandando arquivar o processo por falta de provas.

A deputada Liliane Roriz respondeu processo na Justiça, omitindo documentos e provas arquivas pela Câmara Distrital, sendo condenada.

Os áudios bombásticos guardados, a sete chaves, por Edson Sombra foi compartilhado em segredo com o promotor do Ministério Público do DF, Wilton Queiroz Lima, e o ex-senador Luís Estêvão de Oliveira Neto, hoje preso no Complexo Penitenciário da Papuda em Brasília.

Os áudios, em poder de Edson Sombra, criaram pernas para chegar aos ouvidos de Alexandre Braga Cerqueira, acusado, na Operação Drácon, de ser intermediário de propina para os deputados Bispo Renato Andrade (PR-DF) e Julio Cesar Ribeiro (PRB-DF).

Ex-assessor Alexandre Braga Cerqueira

O recado para Alexandre era confessar para Polícia Civil que era, realmente, intermediário da propina aos parlamentares envolvidos na Operação Drácon. Ele ocupava a 3ª Secretaria da Câmara Legislativa indicado por Bispo Renato. O assessor foi exonerado do cargo e manteve o bico calado.

A deputada Liliane Roriz denunciou ao Ministério Público do DF um esquema de propina na área de Saúde, envolvendo cinco parlamentares e foi deflagrada a Operação Drácon.

As gravações provam o envolvimento de Liliane no esquema das verbas indenizatórias em 2012. Pelo menos dois áudios chegaram à redação do site Fênix do Planalto.

José Flávio secretário Parlamentar do Governo do Distrito Federal

As conversas gravadas, a mando do blogueiro, revelam que José Flávio, hoje secretário Parlamentar do Governo do Distrito Federal, gravou Aylton e Alexandre sem que ambos estivessem sabendo.

O segredo da deputada Liliane Roriz é peça fundamental para um novo pedido de cassação na Comissão de Ética da Câmara Legislativa, ficando provado a quebra de decoro parlamentar por Liliane ter mentido para o corregedor ex-deputado Dr. Michel e omitido à Justiça do DF.

Os áudios sempre estiveram em poder do promotor do Ministério Público do Distrito Federal, Wilton Queiroz.

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