Lava Jato: dossiê e prisão de Orlando Diniz abre a caixa preta da Fecomércio-RJ

27 fev 2018

Por: Mino Pedrosa

A noticia da prisão do presidente da Federação do Comércio do Rio de Janeiro Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, caiu como um petardo para algumas estrelas do jornalismo nacional nas redações das Organizações Globo. O esquema criminoso apurado pelo Ministério Público e Polícia Federal que levou o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, para a cadeia, abriu a caixa preta do sistema ‘S’ Fluminense. Trazendo a luz documentos e contratos fictícios que desviaram recursos públicos que chegam a cifra de bilhão.

Os procuradores rastrearam só no departamento jurídico mais de 180 milhões de reais em contratos suspeitos com renomados escritórios de advocacia. E não para por aí. Orlando Diniz, efetuava pagamentos para pessoas indicadas por Sérgio Cabral, que nunca passaram a porta da instituição. Eram todos fantasmas. Diniz montou uma estratégia de corrupção com a finalidade de se perpetuar no poder. Para isso, Cabral orientou Diniz a promover palestras fictícias em sua maioria para justificar salários paralelos a políticos, funcionários públicos, advogados e jornalistas renomados que chegam a ocupar a bancada do Jornal Nacional, principal jornal da Rede Globo.

O contrato que chancela o salário indireto dos jornalistas e funcionários públicos tem como objeto: ‘palestras na área de comunicação’ que são remunerados de acordo com a exposição do palestrante na programação global e em outros veículos de comunicação.

Um dos contratos que chamou a atenção dos procuradores foi o caso da jornalista Giuliana Faria Morrone, uma estrela global que recebia da Fecomércio-RJ para fazer palestras com um valor  de 270 mil reais. A jornalista rescindiu esse contrato pedindo um aditivo de 100%, justificando o aumento da exposição nos telejornais da emissora. E foi atendida.

Outros jornalistas renomados que também tem contrato com a Fecomécio-RJ são: Cristiana dos Santos Mendes Lôbo, Kennedy Alencar Duarte Braga, Lília Maria Teles e Merval Pereira, que é bem remunerado por figurar nos telejornais da Globo News. Segundo o MP são vários jornalistas. A reportagem cita apenas alguns exemplos, mas, no departamento financeiro da Fecomércio-RJ saem milhões a títulos de publicidade que também abastecem outras estrelas do jornalismo que se acobertam com o manto de marqueteiros. As despesas com publicidade davam uma roupagem para a Fecomércio-RJ e camuflava a gestão criminosa.

A Fecomércio-RJ e o Sistema S estão sendo investigados pelo Ministério Público em todos os Estados, com a suspeita de corrupção e desvio de recursos públicos. Há cerca de um ano o site Quidnovi.com.br vem denunciando com exclusividade a má gestão na Fecomércio do Rio de Janeiro e outros estados.

A Operação Jabuti, um desdobramento da Operação Lava Jato, além de Orlando Diniz, preso preventivamente (sem prazo para liberação) três funcionários da Fecomércio-RJ foram alvos de mandados de prisão temporária (por cinco dias, prorrogáveis):

  • Plínio José Freitas Travassos Martins
  • Marcelo José Salles de Almeida
  • Marcelo Fernando Novaes Moreira

Há sete meses o juiz Sérgio Moro, recebeu do Ministério Público um dossiê com mais de mil páginas em que uma diretora da Fecomércio-RJ colaborou em delação premiada e abasteceu com documentos, contratos e extratos bancários que endossavam o esquema criminoso. A diretora que havia sido demitida por Orlando Diniz tinha conhecimento de detalhes, todos repassados para a força tarefa da Lava Jato. Os alvos do MP eram a ex-primeira dama, Adriana Alselmo e o filho do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Tiago Cedraz Leite de Oliveira.  Mas, os documentos demonstram uma ramificação no chamado propinoduto que abastece vários setores da mídia dando proteção para Orlando Diniz.

Em dezembro do ano passado, às vésperas do recesso do judiciário foi decretada uma polêmica intervenção afastando Orlando Diniz e nomeando como interventor, Luiz Gastão Bittencourt da Silva, apadrinhado por Antônio José Domingues de Oliveira Santos, presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e adversário ferrenho de Orlando Diniz. O interventor anda praticando medidas desenfreadas e desastrosas provocando uma verdadeira confusão administrativa. Ampliou os gastos, aumentou o número de funcionários e vem gerando um enorme desconforto na entidade.

Luiz Gastão goza de uma extensa folha corrida na justiça como empresário, financiando campanhas políticas que o faz abocanhar contratos públicos milionários em vários estados. Em 2014 foi um dos maiores doadores da campanha do governador, José Mello, para o governo do Amazonas com: R$ 1,2 milhão.  O ex-governador está preso no presídio Centro de Detenção Provisória Masculino 2 (CDPM 2). O repasse foi feito através da Serval Serviços e Limpeza, que tem como administrador Luiz Fernando Bittencourt, primogênito de Gastão. No Ceará também há flagrantes da participação de Luiz Gastão em financiamentos de campanhas políticas. A Umanizzare, empresa que administra presídios no Amazonas e que Gastão figura como proprietário é investigada em crimes de tortura, massacres e facilitação de fuga de presos.

As buscas e apreensões realizadas na residência de Orlando Diniz e na Fecomércio-RJ, prometem um desdobramento que poderá alcançar os caciques do agora  Movimento Democrático Brasileiro (MDB)  e o chamado núcleo duro do Partido dos Trabalhadores (PT).

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