Mino Pedrosa

GDF no lixo: as anilhas do corvo

27 nov 2017

A Polícia Federal vasculhou o lixo de Brasília, no Serviço Limpeza Urbana (SLU) e identificou uma espécie de verme criminoso.

Roberto Trombeta, em delação premiada para à força tarefa da Lava Jato, confessou em depoimento um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, com empresas offshores em paraísos fiscais.

O corvo abriu o bico e confessou no âmbito da Operação Lava Jato onde confirmou que atuou a mando da OAS para lavar recursos e possibilitar o pagamento de propina a agentes públicos, em especial na República do Peru usando empresas de lixo e saneamento.

Os documentos oficiais do Cartório de Nevada não deixam dúvida que existe vínculo entre Kadney Holdings LLC e Mossack Fonseca e Roberto Trombeta.

Os documentos da Junta Comercial e dos Cartórios da cidade de São Paulo tem vínculo entre Kadney Holdings LLC e Alvor Participações, Sustentare Saneamento e Adilson Alves Martins.

O surgimento repentino de Kadney do Brasil Participações Ltda., como acionista majoritário de Sustentare Saneamento S.A (patrimônio líquido maior que cem milhões de reais), no dia seguinte em que foi fundada com Capital Social de R$ 10 mil reais “é evidência que essa operação é fraudulenta, falsidade ideológica com sonegação fiscal, e lavagem de dinheiro”, segundo a Polícia Federal.

O GDF firmou acordo com dispensa de licitação no governo de Rodrigo Rollemberg com duas empresas, que vão receber pelos próximos seis meses R$ 147,7 milhões –R$ 102,7 milhões para a Sustentare, e R$ 44,9 milhões para a Valor Ambiental. As duas firmas já controlam o serviço desde 2009. No lote mais caro, o governo recebeu uma proposta quase R$ 12 milhões inferior, da Cavo Serviços e Saneamento que acabou desqualificada por questões técnicas. A empresa com a melhor oferta chegou a ser convocada para assinar o serviço de limpeza urbana do DF. Mas foi surpreendida por um parecer que tirou a firma da negociação.

A Cavo entrou com ação para tentar reverter a decisão do SLU, mas o TJDFT manteve o contrato nas mãos da Sustentare.

O contrato emergencial foi dividido em três lotes. O primeiro deles, de maior valor, foi o que gerou as ações judiciais. Em parecer da equipe técnica, o SLU considerou “que a contratação da empresa Cavo Serviços e Saneamentos é mais vantajosa para a administração”. Ainda de acordo com o documento, a firma tinha condições de assumir os serviços “sem descontinuidade”. Pouco depois, entretanto, a Cavo foi desclassificada com a alegação de não ter apresentado atestados de capacidade técnica para operar usina de compostagem e triagem, como a que existe na Asa Sul.

A Sustentare Saneamento recebeu do GDF R$ 117 milhões só este ano. Desde 2014, a empresa teve repasses que somam R$ 407,9 milhões dos cofres públicos. Entre 2009 e 2017, a firma, sob o nome de Sustentare Meio Ambiente, embolsou R$ 305,7 milhões de recursos públicos. Os dados são do Portal Siga Brasília. Já o valor Ambiental, outra empresa do setor de lixo que divide os contratos do segmento, recebeu R$ 920,3 milhões do GDF entre 2009 e 2017.

Segundo a força tarefa da Operação Lava Jato da Polícia Federal, a Holdings Sustentare é uma organização criminosa que corroborados, por documentos oficiais e públicos, há a fundada suspeita que a Sustentare Saneamento S.A. tenha entre seus controladores agentes públicos ocultos por engenharia societária nebulosa Mossack Fonseca e Roberto Trombeta como operadores do esquema e Adilson Alves Martins que figura como sócio de todas as empresas.

Nesta segunda-feira (27), em entrevista coletiva à imprensa, deputada entregou cópias do inquérito da PF e a denúncia contra o governador Rollemberg.

Com todas estas robustas provas o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg deverá ser responsabilizado por improbidade administrativa, bem como o devido ressarcimento do prejuízo ao erário público.

Assista entrevista coletiva da deputada Celina Leão:

 

 

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