Mino Pedrosa

Exclusivo – Operação Patmos: O primo guardião da mala

22 maio 2017

A convocação da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), na última sexta-feira (19) para investigar a autenticidade da gravação e em que circunstancias se deu o diálogo entre o presidente da República Michel Temer e o empresário presidente do Grupo JBS, Joesley Batista, está sendo fundamental para desvendar a rocambolesca história que culminou com a abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer no Supremo Tribunal Federal.

Agência Brasileira de Inteligência – ABIN

O aparato usado pelos arapongas da ABIN, no rastro também do dinheiro supostamente usado para corromper o deputado federal peemedebista Rodrigo Santos da Rocha Loures, chegou ao guardião da mala tão especulada por políticos, imprensa e populares: Rogério Rocha Loures.  Ele é primo do deputado Rodrigo Loures flagrado pela Polícia Federal em vídeo recebendo supostamente 500 mil reais que era monitorada pela PF; mas curiosamente os agentes perderam de vista na primeira esquina no local do encontro entre o corruptor executivo da JBS e o deputado Loures. “Acho que a gente já perdeu – na manha – se perdeu, paciência”, comentaram os agentes que monitoravam fora do restaurante e ao lado do táxi que aguardava o deputado supostamente com a propina.

Guardião da mala

O primo Rogério Loures, operador do deputado no submundo da corrupção e conhecido nos meandros políticos e empresariais tem acesso direto ao ex-presidente Lula, ex-ministro Antonio Palocci e principalmente a José Dirceu. No Partido Progressista, seu principal “amigo” é o ministro da Saúde Ricardo Barros. O deputado Rodrigo Loures, segundo agentes da ABIN repassou a suposta propina para seu primo que é costumeiro guardião das operações nada republicanas, após negociar com o executivo da JBS a forma de pagamento da propina: “dinheiro à vista, eu não deposito. Nesses mercadinhos aí que você imagina, tudo à vista. Aí a gente não paga imposto. R$ 1 milhão, 2,3. Não é muito dinheiro.”, debochou o deputado. O seu primo Rogério é homem de gosto requintado e conhecedor de culturas de vários países, agora faz parte de um relatório paralelo, produzido por agentes de Inteligência do Governo Federal atendendo a ordem do presidente Michel Temer.

O lobista e operador Rogério Rocha Loures

A Operação Patmos da Polícia Federal não deu a importância devida às investigações que supostamente alcançavam o presidente da República. Na noite de 28 de abril, em que os agentes da Polícia Federal monitoravam o alvo deputado federal Rodrigo Loures, foram registrados várias falhas operacionais. O suposto encontro na pizzaria Camelo, no bairro dos Jardins em São Paulo, não fez registro interno da passagem de propina ao deputado. O táxi utilizado pelo deputado após a suposta entrega também não foi acompanhado como deveria. O registro da placa do táxi também não consta no relatório da operação e os próprios agentes admitem a desistência do monitoramento e falha operacional. “Botou no porta-malas – tô vendo – táxi – acho que a gente já perdeu – na manha. Se perdeu paciência…”.

Monitoramento da Polícia Federal em São Paulo

As Organizações Globo montaram um vasto aparato para divulgar com exclusividade a notícia da existência de um áudio em que o presidente da República Michel Temer, dava aval ao empresário Joesley Batista, para manter um mensalão em troca do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal.

A notícia explosiva provocou o adiamento nas votações da reforma trabalhista e da previdência. O Supremo Tribunal Federal abriu inquérito para apurar a denúncia do MPF. O presidente Michel Temer fez pronunciamento e exigiu a divulgação do suposto áudio gravado pelo empresário. Ao ser divulgado, no áudio a frase mostrada com exclusividade pelo jornal o Globo, não se encaixa com o contexto e fluxo do restante da narrativa.

O presidente Michel Temer saiu no contra ataque desqualificando a delação premiada do empresário e provocando uma polêmica quando todos já tinham como certa a sua renúncia. Outros veículos de comunicações fizeram perícias no áudio e especialistas constataram edições, causando embate entre as redações que correm atrás da verdadeira notícia.

Pronunciamento do presidente Michel Temer sobre Operação Patmos

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