Mino Pedrosa

Exclusivo, Juarez Cançado: O encontro entre Aquarela e Pandora

27 mar 2017

Dez anos depois do início das investigações da Operação Aquarela, somente Tarcísio Franklin de Moura, ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) e Juarez Lopes Cançado, então diretor da Associação Nacional de Bancos (Asbace), uma das firmas utilizadas para viabilizar o esquema tiverem seus bens sequestrados pela justiça.

Agora, o site Fênix do Planalto (minopedrosa.com.br), revela com exclusividade mais de centena de horas de gravações clandestinas feitas por Juarez Cançado, um dos réus no processo da Operação Aquarela.

Quando se trata de fornecimento de material de delação premiada, Juarez Cançado, diretor comandante da empresa ATP Tecnologia e Produtos S.A, supera o delator da Caixa de Pandora, Durval Barbosa.

Segundo as investigações, o bando que sangrava os cobres do Banco Regional de Brasília (BRB) chegaram a desviar cerca de 1,5 milhão de reais em apenas um dia.

Juarez Cançado, Tarcisio Franklin e braço direito de Roriz

Em 2007, Juarez Cançado e Tarcisio Franklin se tornaram reféns de quadrinhas que tiveram acesso a documentos sigilosos de investigação na Operação Aquarela. Essas quadrilhas venderam essas informações a preços exorbitantes, praticando a extorsão.

O site Fênix do Planalto fará uma sequência de matérias divulgando os áudios inéditos que estavam guardados, a sete chaves, desde 2007. O escândalo alcança uma quadrilha de políticos que comandaram o governo do Distrito Federal.

Juarez e Tarcisio abasteceram o esquema de corrupção desviando recursos do BRB para as campanhas de Joaquim Roriz, José Roberto Arruda e Paulo Octávio e para vários secretários do governo do Distrito Federal.

No ano em que foi deflagrada a Operação Aquarela, a Polícia Civil confiscou um tocador de áudio digital (modelo Ipod) contendo horas de gravações feitas por Juarez Cançado, onde vários esquemas de corrupção foram registrados.

Misteriosamente, o aparelho sumiu e anos depois reapareceu para extorquir milhões dos envolvidos. A primeira vítima de extorsão foi o empresário e ex-secretário de obra do governo de José Roberto Arruda, Márcio Machado, que cedeu ao achaque em 3 milhões de reais (no total de 5 milhões), ficando 2 milhões a serem retirados das empresas que construíram o prédio da Polícia Civil do Distrito Federal.

A quadrilha, bem sucedida em sua extorsão, deu garantias as vítimas de que o material seria destruído. O azar foi que o guardião da gravação fez uma cópia antes de destruir o material na presença da quadrilha. Hoje, esses áudios chegaram às mãos deste colunista.

Os áudios postados nesta edição revelam que Márcio Machado, coordenador financeiro da campanha de José Roberto Arruda em 2006, recebia do esquema de corrupção comandado por Tarcisio Franklin e Juarez Cançado cerca de 250 mil reais em espécie e 10 cartões de créditos que permitiam um saque de 50 mil por semana.

O esquema de lavagem de dinheiro apurado na Operação Aquarela envolvia contratos sem licitação entre o BRB e a Asbace, repassados a outra empresa, a ATP Tecnologia e Produtos S.A., que resultou em desvios de recursos. Dezenove pessoas, incluindo Moura, foram presas na ocasião. Contudo, depois de tanto tempo, a Justiça não havia conseguido reaver o valor desviado, pois as empresas investigadas não dispunham de ativos suficientes para suprir o prejuízo causado por seus dirigentes.

Os áudios também revelam a participação de Antonio Mazurek, diretor de Relações Governamentais da Fenaseg, e de Valério Neves, secretário particular do então governador Joaquim Roriz.

 

O impacto mais evidente da Operação Aquarela foi a renúncia de Roriz, ex-governador do Distrito Federal, que renunciou ao mandato de senador, que exercia pelo PMDB, para fugir à cassação. Entre várias evidências, conversas telefônicas gravadas pela polícia na investigação mostravam Roriz fazendo a partilha de um cheque de R$ 2,2 milhões com Tarcísio Moura. O Conselho de Ética do Senado entendeu que Roriz havia ferido o decoro parlamentar. A renúncia abriu espaço para a ascensão do suplente de Roriz, o deputado distrital Gim Argello, do PTB, que assumiu o mandato. Gim foi condenado a 19 anos de prisão e hoje está preso em Curitiba, pego pela Operação Lava Jato. Ele foi acusado de cobrar propina de R$ 5 milhões de empreiteiras interessadas em não aparecer na CPI da Petrobras, em 2009.

Os áudios que serão entregues ao Ministério Público e Justiça podem ligar a Operação Aquarela a Caixa de Pandora. Por enquanto, personagens se cruzam entre uma operação e outra, numa prática covarde de gravações clandestinas operadas pelos membros das quadrinhas, Durval Barbosa, “Caixa de Pandora” e Juarez Cançado, “Operação Aquarela”.

Publicidade

Anuncie Aqui