Mino Pedrosa

Exclusivo: Gravações revelam Juarez Cançado pintando o sete na Aquarela

28 mar 2017

O juiz da 1ª Vara Criminal de Brasília, Roberval Casemiro Belinati, ouviu Juarez Lopes Cançado, um dos acusados de envolvimento na Operação Aquarela. Ex-secretário-geral da Associação Brasileira dos Bancos Estaduais – Asbace, Cançado negou em seu depoimento todas as acusações do Ministério Público, que o denunciou, juntamente com mais oito pessoas, pela prática do crime de dispensa indevida de licitação em contrato envolvendo o Banco de Brasília – BRB e a Asbace, para o qual a lei prevê pena de detenção de 3 a 5 anos e multa de 2 a 5% do valor do contrato. 

Mas, não é bem assim, o site Fênix do Planalto (minopedrosa.com.br), trouxe à tona gravações inéditas feitas por Juarez Cançado, que revelam vários esquema de corrupção, inclusive saques vultuosos do Banco Regional de Brasília. Em 2007, Juarez tinha negócios escusos com o presidente do banco, Tarcísio Franklin. Antes de deflagrada a Operação Aquarela, policiais civis, advogados e empresários protagonizaram uma ação de extorsão de uma quadrilha contra bando.

O esquema que Juarez comandava tinha também um braço nacional com desvio de recursos de seguros DPVAT, envolvendo Fenaseg. Foram milhões e milhões desviados dos cofres públicos.

As gravações denunciam o esquema onde Rubens dos Santos Dias à época presidente da Fenaseg e Antonio Mazurek recebia propina intermediada por Juarez, que estava a frente da empresa ATP Tecnologia e Produtos S.A e Asbace.

O escândalo deixa o delator da Caixa de Pandora Durval Barbosa aprendiz de Juarez Cançado. Durval Barbosa, delator da Caixa de Pandora, gravou várias pessoas para chantageá-las e se proteger do crime de corrupção.

Cançado usou o mesmo método, mas não contou com apoio do Ministério Público.

Cançado voltou atrás em seu depoimento à Justiça. Disse também que nunca manteve qualquer tipo de negócio com Tarcísio Franklin de Moura, ex-presidente do BRB, nem com as demais pessoas arroladas na denúncia, que nunca pediu dinheiro emprestado nem nunca emprestou dinheiro aos demais denunciados. Não é o que os áudios inéditos demonstram.

 Com relação à acusação de que os contratos celebrados entre o BRB e a Asbace eram superfaturados, ele nega categoricamente. Sobre a acusação de que os serviços não eram totalmente prestados, ele se negou a falar. Os áudios revelam o esquema de corrupção.

Para o Ministério Público, fica confirmado o repasse da execução do contrato para outra empresa, o que é ilegal.

Os promotores entendem que a Asbace serviu de fachada para a contratação da ATP. De acordo com o Ministério Público, a ilegalidade está no fato de uma empresa privada a ATP, prestar serviços contratados por meio de uma associação apenas para não participar do processo legal de licitação do contrato de R$ 28,9 milhões. Segundo apuração do Ministério Público na Operação Aquarela, Cançado e Moura são os principais responsáveis pela ilegalidade.

Nos áudios além de comprovar o forte esquema de corrupção, existe também uma tentativa de encomendar a morte de um personagem que tenta extorquir a quadrilha. O diálogo entre Juarez Cançado, Tarcísio Franklin e Valério Neves braço direito do ex-governador do DF Joaquim Roriz, existe várias convicções de crime. Num ponto da gravação, Valério Neves diz conhecer um assassino de aluguel e propõe pagar parte do serviço, dividindo com Juarez e Tarcísio para eliminar o interlocutor que tentava a extorsão com dossiês que podia revelar todo o esquema da quadrilha. A quadrilha comenta que foram extorquidas outras duas vezes e que pagaram pelo silêncio. ”Agora, não vamos mais aceitar isso, já pagamos duas vezes, chega.”

Outra revelação bombástica foi tesoureiro Márcio Machado, que ocupou a pasta da secretaria de obras no governo de Arruda e Paulo Octávio em 2006. Ele recebia 250 mil reais em espécie, semanal, e 10 cartões de créditos (cada um de 50 mil reais de limite). Esses cartões também podiam ser utilizados semanalmente. Os valores eram distribuídos para Arruda, Paulo Octávio e os principais assessores.

Ontem (27/03), a juíza Ana Cláudia Loyola de Morais Mendes e o promotor de justiça Clayton da Silva, ouviram alguns dos réus e suas defesas e estão analisando os pedidos de extinção da punibilidade.

Ouça o áudio em que Juarez demonstra o controle total das gravações frisando data, hora e assunto.

 

 

Entenda o caso: 27/03/2017

http://minopedrosa.com.br/exclusivo-juarez-cancado-o-encontro-entre-aquarela-e-pandora/

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