Mino Pedrosa

Eleições 2018: direita volver para Brasília?

8 fev 2018

Por Mino Pedrosa

Um pequeno exército perfilado em continência lança o general, Paulo Chagas, para disputar a principal cadeira no Palácio do Buriti. A divulgação do lançamento da candidatura de duas estrelas de pijama, faz recordar momentos difíceis vivido no campus universitário de Brasília. Ali a 34 anos atrás, um general quatro estrelas reprimia os sonhos dos estudantes que buscavam uma Brasília-Brasil melhor. Newton Araújo de Oliveira e Cruz, “credo!” triste lembrança.

A jovem cidade que completava aniversário de 24 anos vivia sob medida de emergência com as quais o governo censurou a imprensa proibindo manifestações durante o período de votação da emenda constitucional Dante de Oliveira. As manifestações aconteciam em todo o Brasil em lugares públicos buscando apoio às Diretas Já (eleições pelo voto do povo).

Montado em um cavalo branco, puro sangue inglês, marchador e que não era lógico o de Napoleão, o general Newton Cruz, com um cassetete de jacarandá na mão direita, comandava a invasão do campus universitário da Universidade de Brasília (UNB) considerado inviolável. Foram muitos os estudantes espancados, chegando até a perderem os sentidos. Dalí, Newton Cruz partiu para a Esplanada dos Ministérios onde qualquer cidadão era alvo da repressão. As marcas deixadas nas lembranças dos brasilienses hoje amadurecidos pela democracia vão julgar se cabe o retrocesso ou o avanço desconhecido.

Nesta quarta-feira (8) em um café em Brasília o pré-candidato general, Paulo Chagas, esbravejava com um amigo detalhando a decisão tomada para tentar disputar a principal cadeira do Buriti “montei um circo, coloquei todos ali dentro e disse: tem que ser do meu jeito”. Comemorando a filiação no Partido Progressista Reformador (PPR). A dúvida paira no ar. Qual seria o jeito? Truculento como nos velhos tempos? ou paz e amor como nos dias atual? Não é a primeira vez que um general tenta se embrenhar pelos caminhos da política. Em 1994 Newton Cruz se lançou candidato pelo PSD ao Palácio da Guanabara no Rio de Janeiro terminando a disputa em terceiro lugar.

A situação de Brasília chegou ao caos onde qualquer um se apresenta como salvador da pátria. Na política da Capital ainda jovem não cabe mais aventureiros. O que precisa é resgatar a confiança e retomar os bons tempos em que havia: segurança, saúde e educação.

O general de pijama, Paulo Chagas, se queixava do caos na segurança pública em todo o Brasil e chamava atenção com razão para a falta de comando e gestão dos secretários de segurança em todo país. Vale a pena lembrar para alguns que não viveram o período da ditadura que um ilustre personagem que participou da invasão arbitrária no campus da UNB foi o então agente da Polícia Federal, Daniel Lorenz de Azevedo, responsável pela prisão a época do líder estudantil, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE),  Acildon de Mattos Paes.

Daniel Lorenz chegou a atuar como delegado de Polícia Federal e recentemente no governo do petista Agnelo Queiroz comandou a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. Hoje o Lorenz paz e amor presta consultoria em segurança pública para uma emissora de TV.

 

Paulo Chagas, chega nas eleições de 2018 para o governo do Distrito Federal, com o discurso de que falta comando, gestão, honestidade e plano de governo aprovado pela população. Os militares que comandavam o país com truculência lavaram as mãos permitindo o crescimento da democracia.

Quanto custou para os cofres públicos a construção de Brasília? Juscelino Kubitschek não mediu esforços e tão pouco, recursos para construir a capital considerada patrimônio tombado e que hoje faz jus ao titulo tombando com o caos deixado por governantes despreparados.

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