Mino Pedrosa

A caixa preta do Partido da República no DF na CLDF

6 dez 2017

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) investiga estilhaços da Operação Drácon.

O homem, que é apontado como interlocutor no pagamento de propina para os deputados distritais, Bispo Renato (PR-DF) e Júlio Cesar (PRB-DF), é protagonista de vários crimes.

Alexandre Braga Cerqueira comandou um esquema arrecadação de propina para parlamentares durante quase 20 anos.

Apadrinhado por Bispo Renato e Agaciel Maia, o funcionário Alexandre Ferreira Bispo de Oliveira mantém o esquema de cobrança de percentual nos salários de funcionários fantasmas.

Alexandre Bispo, filho do presidente do Partido Republicano (PR-DF), Salvador Bispo, vem atuando em parceria com Alexandre Braga Cerqueira, exonerado, após escândalo da Drácon. O esquema milionário na cobrança da propina e nomeações de funcionários fantasmas estão na mira MPDFT.

Em 14 de novembro de 2017, a pedido do deputado Bispo Renato, o presidente da Câmara Legislativa Joe Valle, publicou no Diário da Câmara Legislativa, a exoneração de Alexandre Ferreira Bispo de Oliveira, do cargo de Assessor CL-06 da mesa diretora e nomeou no mesmo ato, Carla Cristina Iseke Ferreira Bispo, nada mais, nada menos que esposa de Alexandre Bispo, flagrado negociando salário de funcionários fantasmas pela Operação Drácon

Na ocasião, Bispo Renato negou ter relações com Alexandre Bispo, filho do presidente do (PR-DF).

Agora, que o Ministério Público afunila as investigações, Bispo Renato deixa digitais, exonerando Alexandre Bispo e nomeando Carla Cristina Iseke Ferreira Bispo, esposa de Alexandre Bispo.

O celular de Alexandre Braga Cerqueira, apreendido na Operação Drácon, flagrou o esquema de nomeações de funcionários fantasmas que cobrava comissão sobre os valores recebidos.

Alexandre Braga Cerqueira

Os investigadores do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e da Polícia Civil encontraram 354 arquivos de conversas de WhatsApp, feitas entre 2013 e 2016, no celular de Cerqueira. Os diálogos do homem, apontado como suposto emissário da propina no esquema da Drácon, chamaram a atenção. Em um dos trechos, de 19 de setembro de 2013, é cobrado um valor que seria parte do salário de R$ 10.620,59 de uma servidora comissionada, identificada nos contatos do smartphone como “Viviane — Prima”.

MPDFT – Celular do Alexandre

Cerqueira diz estar preocupado, pois uma pessoa identificada como “o cara” precisava receber o dinheiro. Viviane responde que está fora da Casa, “atendendo clientes, fazendo entrevistas e testes para empregos”, apesar de o nome dela constar, na época, nos quadros funcionais da CLDF. “Dá um jeitinho aí pro cara não ficar bravo”, cobra Alexandre Cerqueira.

Um ponto curioso reforça a tese de que “Viviane — Prima” era uma funcionária fantasma. Semanalmente, Cerqueira alertava a mulher que não se esquecesse de ir à Câmara Legislativa para bater o ponto de frequência dos servidores.

“Viviane — Prima” é Viviane Amorim Ferreira da Cruz. A mulher foi lotada por alguns meses entre 2013 e 2014 no gabinete do então deputado distrital Aylton Gomes (PR). Gomes, réu na Operação Caixa de Pandora, era um dos padrinhos que Cerqueira teve na Câmara Legislativa nas duas décadas em que o agora ex-assessor atuou na Casa.

De acordo com o Diário da Câmara Legislativa, Viviane foi exonerada em ato publicado em 5 de fevereiro de 2014. Coincidentemente, as conversas de Cerqueira com ela duraram até março de 2014. A partir de então, não houve mais registros no telefone apreendido pelo MPDFT e pela Polícia Civil.

No celular de Alexandre Cerqueira consta o esquema na nomeação de Alexandre Ferreira Bispo de Oliveira que foi nomeado assessor da mesa diretora em 10 de fevereiro de 2015, e exonerado em 14 de novembro de 2017, colocando a esposa fantasma no seu cargo.

Nomeação de Carla Cristina Bispo

A investigação do Ministério Público se estende para saber se Carla Cristina Iseke Ferreira Bispo, está nomeada em alguma administração, indicada pelo deputado Agaciel Maia (PR-DF).

Deputado Distrital Bispo Renato e Carla Cristina Bispo

A denúncia recente no MPDFT revela Alexandre Cerqueira cobrando propina em nome do ex-deputado Aylton Gomes, que cobrava o silêncio para não cassar o mandato da deputada Liliane Roriz (PTB-DF), em 2012, que respondia na Corregedoria da Câmara por desvio de verbas indenizatórias de alugueis de carro.

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