A face oculta do candidato milionário Ibaneis Rocha

30 ago 2018

Por Mino Pedrosa

Uma reunião entre três paredes, no reservado do Café Belini fez com que este jornalista registrasse com exclusividade o conchavo explosivo entre figurões do alto escalão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O assunto que parecia ser discutido em segredo chamou atenção deste colunista que presenciou uma verdadeira guerra na disputa pela direção das seccionais e o comando da Ordem em Brasília.

A chapa encabeçada por Délio Lins e Silva e os integrantes: Paulo Zózimo, Helena Moreira Alves, o ex-ouvidor Antônio Amaral pai de Flávia Amaral, atual conselheira, tratavam de estratégias para combater os adversários explorando fortemente os escândalos que a OAB vem atravessando desde o início da gestão do atual presidente, Juliano Ricardo de Vasconcellos Costa Couto. O alvo principal da conversa era Ibaneis Rocha Barros Júnior, ex-presidente da Ordem no Distrito Federal e hoje candidato a principal cadeira do Palácio do Buriti.

Antônio Amaral esbravejava indignado, falando do acesso que teve ao inquérito sigiloso onde afirma ter visto depósitos bancários de pagamentos de propinas na conta pessoal do presidente atual da OAB. “Um absurdo, Ibaneis protege Juliano e vocês sabem que Juliano recebeu propinas e tem que ser afastado”. Délio questiona: “não há provas”. Novamente Antônio rebate: “há provas sim, pois, vi com meus próprios olhos, vocês sabem que eu tenho acesso, mesmo estando em sigilo”. Antônio explora o desgaste que a OAB vem sofrendo sob o comando de Juliano respaldado por Ibaneis Rocha que apesar de estar afastado conduz com punhos de aço a caneta do atual presidente.

Na reunião, fica explícita a proteção dada por Ibaneis mantendo no comando Juliano mesmo após este ser flagrado recebendo propinas do grupo JBS e levando o nome da instituição para o lixo. Ibaneis não esconde o seu poder financeiro que o faz ditador das ordens impondo cabrestos naqueles que cometem deslizes e até crimes.

No conchavo percebe-se que é dado tratamento diferenciado a colegas que são ligados ao poder do presidente, pois, mesmo respondendo por escândalos com drogas, ao invés de receberem punições são premiados com cargos de relevância. A reunião aconteceu pouco antes da tradicional festa junina realizada todos os anos pela OAB-DF. O grupo combinava surpreender os organizadores da festa trazendo de ônibus mais de uma centena de convidados de baixa renda pra constranger o luxo das famosas bancas misturadas ao proletariado.

Este colunista teve acesso nesta quarta-feira (29), a um processo que poderia ter sido corriqueiro, no entanto, a força e o punho de aço de Ibaneis Rocha, usando mais uma vez a caneta do fiel escudeiro, refém e fragilizado por denúncias na Operação Lava Jato, Juliano Costa Couto, transformou-se em um rumoroso processo judicial. O áudio publicado na íntegra com exclusividade nesta reportagem revela a submissão de Juliano a Ibaneis Rocha.  O processo que poderia ter sido resolvido no Tribunal de Ética e Disciplina (TED), com uma branda punição de advertência, enveredou na justiça em desfavor de Costa Couto.

A vítima de Ibaneis trata-se de Lairson Rodrigues Bueno, presidente da subceção de Taguatinga-DF, portador da OAB 19.407.  A gravação feita por telefone revela o diálogo entre o presidente da OAB-DF, Juliano Costa Couto e Neisser Freitas, advogado componente da Subseção de Taguatinga. O processo que corre em segredo de justiça é mais um elemento que complica a situação de Costa Couto, já muito desgastado dentro da ordem.

Enquanto isso Ibaneis Rocha se lançou candidato ao GDF usando práticas semelhante da sua atuação na OAB-DF. Ibaneis se filiou a MDB que tem como presidente regional, Nelson Tadeu Filippelli, que sente agora na própria pele o nó apertado de Ibaneis após ter cacifado o seu desejo de ser candidato ao GDF. O advogado e empresário chegou forte, despejando dinheiro e bancando a legenda para sua candidatura rumo ao Palácio do Buriti.

Filippelli refém dos milhões de Ibaneis teve que engolir um sapo cururu goela abaixo. A estratégia de Ibaneis é bancar toda a coligação mostrando força e poder econômico visando na realidade uma projeção para as eleições de 2022. A campanha milionária do ex-presidente da Ordem, cerca candidatos de outras legendas que se comprometem em contrapartida carregar o candidato desconhecido e pesado de uma legenda tão comprometida com a justiça do Distrito Federal com extensão nacional.

Na tarde dessa quarta-feira (29), Ibaneis telefonou para o advogado Klaus Stênius Bezerra Camelo de Melo que faz parte do grupo do adversário Kiko Caputo e Délio Lins, e fez uma proposta no mínimo indecorosa propondo bancar a candidatura de Kleber Vinícius Bezerra Camelo de Melo que é candidato a deputado Federal pelo partido Avante. A contrapartida cobrada por Ibaneis é de que seus adversários dentro da OAB-DF, Caputo e Délio declarem publicamente apoio a candidatura de Ibaneis para o GDF. De pronto a proposta foi rejeitada por Kleber que afirmou: “minha dignidade não está à venda, vou continuar fazendo meu trabalho de formiguinha mostrando minhas propostas”. Caputo e Délio também se manifestaram dizendo que não existem hipóteses desse apoio.

É importante ressaltar que por trás de um candidato que se mostra ser um agregador equilibrado, na verdade esconde um usuário de métodos com força e poder econômico para se projetar como um coronel na política do DF.   As eleições de 2018 com novas regras está sendo um teste para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que poderá constatar que o dinheiro pessoal de candidato leva vantagem sobre as candidaturas menos expressivas financeiramente. Com isso o poder poderá ficar nas mãos dos mais abastados.

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